«Feito histórico»Jogo morno, sem a qualidade e emoção dos precedentes. Depois, na flash interview, as banalidades e frases de circunstância habituais, já que na verdade nada há a dizer. Estamos todos extremamente de parabéns, graças a Deus; sofremos muito, por assim dizer; e o próximo adversário é irrelevante. Idem na conferência de imprensa. Entrevista de rua: papalvos que saltam e berram mal se apercebem do directo, «é a loucura total», somos os maiores, somos campeões, Portugal olé, et caetera e tal, «não sei se há condições para prosseguir a reportagem». Durão Barroso: gravata da sorte, o céu é o limite, temos de acreditar em nós - previsivelmente ridículo. Mas que raio faço eu ainda em frente à televisão? [ 2 comentários: comentar/ver ]HolandesesDe todos os que cá vieram (e vêm) para assistir ao Euro 2004, os holandeses foram os que mais encantaram toda a gente. Invariavelmente de laranja (senão também não sabemos se são holandeses), educados, alegres e civilizados, não causaram desacatos e souberam conviver connosco com respeito e cortesia. E devem-se ter divertido como nunca. É vê-los maravilhados com o bom tempo, a praia, a animação nas ruas, cafés e bares, e a cerveja a 75 cêntimos. Por um feliz acaso, a estadia coincidiu com as festas dos santos populares. Entre o pasmo abismado e a euforia sem rédeas, regalavam-se com uma festa do tamanho de uma cidade, em que se dança junto à fogueira e ao assador de sardinhas, aderindo entusiasticamente às marretadas nas cabeças dos transeuntes. É que, lá na terra deles, nem remontando aos tempos do homem de Cro-Magnon alguma vez houve tamanha folia. Mas não se pode ter tudo, e afigura-se-me justíssimo afirmar que os holandeses já gozaram que chegasse. A menos de uma hora para o jogo de esta noite, espero bem que as férias deles estejam a terminar... [ 0 comentários: comentar/ver ]Tão alucinado que hesito em comentarLuís Delgado, no Diário Digital: «Sendo presidente da CML, contra a vontade deles, porque razão não respeitam o voto da maioria? São todos parvos? [...] Ele governa a CML, que é maior do que a maioria dos Ministérios, e mesmo assim «eles» acham que ele não será capaz de exercer as funções de PM.» Delirante! Posso ser parvo, mas não sou lisboeta. Tal como a maioria dos portugueses podem ser parvos, mas não são lisboetas. Logo não votaram nunca em Santana Lopes para o que quer que fosse. E a CML bem pode ser maior do que a maioria dos Ministérios, mas não é maior que Portugal. E a julgar pelo modo como governa a CML, quer-me parecer exactamente que não será bom primeiro-ministro. E de qualquer modo, afirmar que por ser presidente da CML, Santana Lopes será, por dedução lógica, um primeiro-ministro competente é o mais desvairado argumento que se pode engendrar em sua defesa. E, para terminar, não são «eles» que não respeitam o voto da maioria, mas sim Luís Delgado. Sem eleições não há voto da maioria a respeitar. [ 4 comentários: comentar/ver ]CriseEnquanto não estiverem no poder aqueles que acho que lá devem estar, quero sempre eleições antecipadas. Mas como não podemos ir a votos todos os fins-de-semana, e como é de respeitar a duração constitucional das legislaturas, as eleições antecipadas são excepcionais. O povo português votou maioritariamente em José Manuel ex-Durão Barroso, na sua lista e no seu programa político, caracterizado sobretudo pela contenção financeira. Saindo Barroso, a única pessoa com um mínimo de legitimidade para chefiar o governo seria Manuela Ferreira Leite, por mais que tal ideia me dê pesadelos. Legitimidade mínima, sublinho, porque dada a fulanização da política, na nossa cultura democrática as legislativas servem para escolher o primeiro-ministro. Ficam pois os eleitores defraudados ao verem outro fulano ocupar o posto. Em face da actual situação do país, e tendo em conta a pesada derrota sofrida pelo PSD nas europeias, essa legitimidade mínima não é bastante e não logra a almejada estabilidade. Pelo que é clara e indispensável a realização de eleições antecipadas. Acima de tudo, é de recusar que o PSD nomeie, com inteira liberdade, o sucessor de Barroso, sobretudo se ele for o ex-presidente do Sporting, populista, e casinista Santana Lopes. Cabe ao Presidente da República não só assegurar a conformidade perante a Constituição (que possibilita e fundamenta quer a convocação de eleições quer a escolha unilateral por parte do PSD), mas também a credibilidade e autoridade democráticas do próximo primeiro-ministro. É isto que vou dizer a Jorge Sampaio, mal ele me convoque a Belém para ser ouvido. Esta questão tem pelo menos o mérito de suscitar inteligentes e límpidas análises, como a de Freitas do Amaral e a de Vital Moreira, no Público. [ 0 comentários: comentar/ver ]
Súcia de malandrosUm dia absorvido em deveres académicos, mais dois a arejar na simpatiquíssima Vila de Rei. Regresso à ágora e deparo com o céu prestes a estatelar-se nas nossas cabeças. Durão Barroso, esse astuto pulha, prepara-se para se pisgar em direcção a Bruxelas, abandonando o projecto de governação que tão convictamente defendia. E quer impingir-nos Santana Lopes, para quem não existem epítetos de demérito bastante. O primeiro chega a comissário porque não se destaca pelas suas ideias sobre a Europa, único meio de obter um consenso entre os dissentâneos países europeus. O segundo chega a chefe do governo ninguém sabe bem porquê ou com que legitimidade, e ao que parece sem o aval dos cidadãos e sem programa político (que não seja a ascensão pessoal). Parece que se aproxima a triste e grave hora em que teremos de pegar em armas, camaradas. [ 3 comentários: comentar/ver ]
A festaCaros compatriotas, que buzinais carros e motas; famílias muito exaltadas, de bandeiras nas fachadas; quer vadios quer doutores, histéricos berradores; senhor Durão Barroso, que estava tão orgulhoso; anónima população: porquê tanta animação? - Ganhámos aos ingleses! (acontece poucas vezes) [ 3 comentários: comentar/ver ]
O fim de um mito
Rocco Siffredi, portador de um talento de muitos centímetros, anunciou que vai abandonar o cinema porno. Para além de admitir que, aos 39 anos, já vai ficando velho para a função, confessa que o motivo principal é a família: a mulher ressente-se das suas ausências laborais, e os filhos crescem e já não lhe aceitam a gasta explicação «o papá vai trabalhar, para trazer o sustento para a família». Deve ser tramado, de facto. Para já, poderão os interessados encontrá-lo no grande ecrã no filme «Anatomie de l'enfer», de Catherine Breillat, a mesma realizadora que, há uns anos, já se tinha emparelhado com Rocco no pretensioso, vazio e desesperantemente mau «Romance». [ 0 comentários: comentar/ver ]
Cidadania desportivaPacheco Pereira, no Abrupto: «Porque razão numa Europa sem fronteiras os bilhetes de futebol são vendidos por nacionalidades e por quotas nacionais? Para comprar bilhetes para um espectáculo desportivo tem que se ter passaporte? Então os "cidadãos europeus", a que se dirige a Constituição, ficam à porta dos estádios? Ninguém acha isto estranho...» Não acho nada estranho, porque não se tratam de cidadãos de diferentes países, mas de adeptos de diferentes equipas de futebol. O estabelecimento de quotas nacionais parece-me análogo ao que se passa, por exemplo, num Benfica-Sporting, ou no Porto-Mónaco, em que tanto quanto sei há bilhetes destinados aos sócios dos respectivos clubes. [ 2 comentários: comentar/ver ]PiaçásNuma rua pedonal de comércio, circula, em sentido contrário ao meu, um jovem casal: morenos, de chinelos e roupas leves. Ele traz o puto ao colo, ela carrega o saco da praia. Veraneantes frustrados pelas nuvens prenunciadoras de feroz trovoada, dedicam-se a uma actividade sucedânea: ver as montras. Aproximam-se em passo lento mas convicto da montra de uma loja desengraçada, de ar vetusto. Para lá dirijo também o olhar. E rio para dentro, porque a atracção central é uma dupla fileira de piaçás cuidadosamente alinhados. Cromados, dourados, de plástico, uns mais simples, outros barrocos, com a escova exposta, ou oculta num recatado tubo. Diz ela, apontando: «Gosto deste.» E ele: «Qual?» [ 0 comentários: comentar/ver ]
Olivença é delesA Assembleia da República vai discutir, na próxima sexta-feira, a questão de Olivença, na sequência de uma petição subscrita por oito mil pessoas e promovida por um grupo politicamente heterogéneo de obstinados patriotas. Para dispormos da informação necessária, vou recapitular os factos relevantes, tal como vêm relatados no site do Grupo dos Amigos de Olivença. Em 1297, o tratado de Alcanizes declara Olivença como território português. A 20 de Maio de 1801, os vilões espanhóis tomam Olivença; a 6 de Junho seguinte, forçam a Coroa portuguesa a ceder às exigências de Napoleão Bonaparte e de Carlos IV, reconhecendo Olivença à Espanha através do Tratado de Badajoz. Findas as guerras napoleónicas, reuniu-se o Congresso de Viena, cujo art. 105.º da acta final estatui: «As potências, reconhecendo a justiça das reclamações apresentadas por S. A. R. o príncipe regente de Portugal e do Brasil sobre a cidade de Olivença e outros territórios cedidos à Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801, e considerando a sua restituição como uma das medidas idóneas a assegurar entre os dois reinos da península a boa harmonia completa e estável cuja conservação em todas as partes da Europa foi o objectivo constante dos seus acordos, obrigam-se formalmente a desenvolver os esforços mais eficazes nas vias de conciliação, para que a retrocessão dos ditos territórios seja efectuada; e as potências reconhecem, naquilo que de cada uma delas depender, que tal acordo deve ter lugar o mais cedo possível.» A 7 de Maio de 1817, a Espanha subscreve a acta. No entanto, nunca lhe deu cumprimento. Ora bem. A conquista (um Estado anexa, através de operações militares, o território de outro Estado, estendendo-lhe a sua própria organização política) não é hoje um modo legítimo de aquisição de território, face à proibição de recurso à força nas relações internacionais. Mas era-o seguramente em 1801, época de grande virulência na Europa, donde resultaram muitas das fronteiras depois respeitadas. Sobre a acta final do Congresso de Viena, a que a Espanha se vinculou, cabe concluir que é muito duvidoso que ainda possa, dois séculos mais tarde, emanar dela algum efeito útil. Desde logo, deve ser interpretada tendo em vista o contexto da celebração: pacto que põe fim a uma guerra, e onde a entrega de Olivença era considerada um meio de pacificação da Europa. A Europa nunca mais foi definitivamente pacificada, é certo, mas não estou a ver Olivença a ter alguma coisa a ver com isso. É abusivo invocar tão antiga disposição para se lograr recuperar hoje uma parcela de território, depois de 200 atribulados anos. Face ao direito internacional hodierno, a acta final do Congresso de Viena já terá caducado, quer por mudança radical das circunstâncias (inevitável ao fim de tanto tempo), quer porque se verifica uma impossibilidade superveniente de execução, por, como se verá a seguir, tal execução ser incompatível com princípios de direito internacional entretanto surgidos. Imagine-se o que seria se todos os países resolvessem começar a vasculhar o baú da História, e a reclamar ajustes de fronteiras com base em seculares malvadezas e tratados outrora violados... Para mais, a Espanha já adquiriu decerto Olivença por prescrição aquisitiva, lá exercendo um poder soberano que é público, notório, pacífico e ininterrupto, e que dura há tempo mais que bastante. Por fim, e decisivamente, a população de Olivença é e quer continuar a ser espanhola. Lembro-me de uma sondagem, não oficial, realizada há uns anos, segundo a qual bem mais de 90% dos habitantes não desejava deixar de pertencer ao reino de Espanha. O que se compreende. Falam castelhano, até ao euro pagavam com pesetas, quem exerce a autoridade é a polícia espanhola, votam para as eleições espanholas e torceram pela Espanha no jogo do fim-de-semana passado. Citando as palavras que o presidente Wilson dirigiu ao senado norte-americano, em 1918: «Não devem trocar-se povos e províncias como se fossem meras mercadorias ou peões de um jogo». Afirmado o direito à auto-determinação dos povos, as pretensões dos «amigos de Olivença» são inaceitáveis. Deixem lá o orgulho pátrio ferido e as vilanias dos usurpadores ultra-guadiana, e convoquem o patriotismo para causas mais justas. É o que tenho a sentenciar. [ 0 comentários: comentar/ver ]
A tragédia humanaEu pertenço, com briosa altivez, à espécie Homo sapiens sapiens. Mandamos sondas a Marte, edificamos cidades colossais, vencemos o frio, a fome e as distâncias, interligamo-nos através da internet, destruímos montanhas e conquistamos oceanos, escrevemos a Odisseia, compusemos a Arte da Fuga, pintámos a Guernica, filmámos Andrei Rubliov, descodificamos o genoma, filosofamos e criticamo-nos, vivemos num Estado de Direito. Também temos aviões F-16, mísseis intercontinentais, porta-aviões e bombas atómicas. Quanto a ti, meu caro, não passas de um Anopheles quadrimaculatus: uma merda de um mosquito. Incomodas com esse zumbir imbecil que fazes ao voar. Tudo o que tens é uma tromba ridícula que usas para sugar o sangue do primeiro animal que te aparecer. Ficas horas pousado de cabeça para baixo, como um idiota, no tecto de uma casa que não discernes, parasitário num mundo que não podes compreender. Ontem à noite tiveste o audaz desaforo de espetar essa penca chupista na base do meu dedo mínimo da mão esquerda, despertando-me do sono profundo de que necessito para sobreviver produtivamente. Logo acendi os holofotes do quarto, e procurei-te, de jornal em riste, em cada centímetro quadrado de superfície branca dos tectos e paredes. Não te encontrei, e não logrei aplicar-te sumariamente a justa pena. Readormecido eu, lá saíste da toca para me zoar ao ouvido, uma e outra vez, provocador... A porta e a janela continuam fechadas. Hás-de aparecer, mais cedo ou mais tarde. Não tens por onde escapar, cabrão. [ 2 comentários: comentar/ver ]Um a zero«Un gol de Nuno Gomes en el arranque del segundo acto condena a España a su lugar de tradición en la alta competición: el purgatorio de los 'favoritos' que nunca se confirman. Se reeditó un clásico archileído e intemporal, que va por infinitas ediciones. Pero esta vez ni árbitros ni gaitas que valgan: será la incapacidad genética de los futbolistas bajo esta bandera para manejarse en situaciones de alto riesgo y de entrenadores que dicen tenerlo muy claro y acaban con empanadas mentales. ¿O será que canjeamos los colores de club por los patrios 15 días cada 4 años y creemos ser los mejores y además ser campeones?» É a azia de Ángel González, que assina o artigo do El Mundo sobre o glorioso recontro que eliminou a Espanha e pôs Portugal nos quartos-de-final. Engraçado é reparar que, se por hipótese (meramente académica, claro), o resultado do jogo tivesse sido o oposto, seríamos nós a dizer exactamente isso. De resto, vale a pena ler o artigo todo, em que a frustração do escriba se condensa num estilo de colorida violência. Por cá, o país já ressona, orgulhoso e em paz, com a nossa senhora e o cachecol verde-vermelho na mesinha de cabeceira. A mim também me soube bem ver o jogo, sobretudo porque jantei uns óptimos pimentos padrón. [ 1 comentários: comentar/ver ]
Prime TimeDepois do Aviz, um outro bom blog cumpre o primeiro aniversário: é a Forma do Jazz, de Nuno Catarino. Parabéns! [ 1 comentários: comentar/ver ]Saudades da «bundinha»?Scolari, explicando que só agora conhece bem a selecção portuguesa: «Tem gente que fica seis/sete anos com a mesma namorada, casa, e logo se separa - não dormira antes com ela e depois de manhã descobriu que ela era bem feiinha...» Esperemos que a selecção carregue mais na maquilhagem para o jogo de esta noite contra as Lolas e Conchas, que sempre se souberam produzir. [ 0 comentários: comentar/ver ]
Frequência Modulada
Na internet há enciclopédias, dicionários, fóruns, revistas, fotografia, blogs, livros, jornais, televisão. E rádio, que pode ser sintonizada sem cuidar de alcances hertzianos e da deprimente escassez da oferta nacional. Anuncio-vos pois que nas últimas horas estive acompanhado pela excelente música transmitida daqui. [ 0 comentários: comentar/ver ]
Consumidor bem informado
Pelos contadores de visitas fico a saber que 92% de vós acedem ao Arcabuz utilizando o Microsoft Internet Explorer. Eu tropecei no conselho que nos dá A barriga de um arquitecto, e resolvi experimentar o browser da Mozilla, de seu nome Firefox. Recomendo. É gratuito, fácil de instalar e intuitivo ao utilizar, rápido, leve, fiável, seguro, e com muitíssimas mais funcionalidades que o Explorer. Mas a maior vantagem é ser totalmente configurável. Adapta-se aos hábitos e exigências de cada um, permite navegar com mais agilidade e está repleto de pormenores funcionais. Para além de que bloqueia os irritantes pop-ups, abre várias páginas na mesma janela, controla downloads, etc. Instalai-o já e deixai de ter o computador exactamente igual ao dos vizinhos. [ 0 comentários: comentar/ver ]Pancadaria no MediterrâneoWilliam Gaillard, director de comunicação da UEFA, afirmou: «Incidentes como os que aconteceram em Albufeira acontecem todos os verões no mediterrâneo e não têm relação directa com o futebol». É certo que o disse no contexto de negar a aplicação de sanções à selecção que corresponde à nacionalidade dos vândalos, mas descuidou-se no rigor e acabou por emitir um juízo que não me cai lá muito bem... Porque uma guerra campal entre 300 hooligans e a polícia de choque, com feridos e dezenas de detidos, é uma situação inédita no Algarve. Não acontece todos os Verões. É bem verdade que entre os turistas que escolhem as férias algarvias se contam normalmente numerosos animais de porte anglo-saxões, aliás muito apreciados pelo comércio local. Apanham insolações como nunca apanhariam na terra deles, e também se comportam como nunca se comportariam na terra deles, havendo assim um ou outro desacatozinho ocasional. O que causou os confrontos desta semana foi a circunstância de se estar a realizar o Euro 2004, portanto não se trata de uma situação típica do Mediterrâneo (pelo menos do nosso, se é que o temos) sem ligação ao futebol. De notar que incidentes de tão grande dimensão só se deram no Algarve. No Porto, por exemplo, não vi nada disso. Pelo pouco do castiço ambiente que presenciei, o convívio era fraterno. Conclusão: a estirpe mais bruta de ingleses prefere o reino lá de baixo. [ 0 comentários: comentar/ver ]
Propaganda racista (e afim) na internetEstá a decorrer, em Paris, uma conferência organizada pela OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) sobre a existência de propaganda racista, xenófoba e anti-semita na internet. Opõem-se aí sobretudo duas posições: a dos Estados Unidos, Reino Unido e países escandinavos, avessa a qualquer tipo de regulação que limite a liberdade de expressão; e a da maior parte dos países europeus, mais intervencionista, defendendo nomeadamente a celebração de «acordos de boa conduta» entre as empresas com responsabilidade no acesso e alojamento de conteúdos online. A internet como meio de comunicação revolucionou o mundo. Nunca foi tão fácil colocar à disposição de quem queira (e também de quem não queira), à dimensão mundial, todo o tipo de informações, ideias e manifestos, instantaneamente e com custos reduzidos. Como tal, potencia enormemente a liberdade de expressão e traz desenvolvimento a todos os níveis. Mas, com a simplicidade com que escrevo aqui no Arcabuz, outros podem usar o poder de divulgação da internet para fins menos inocentes. Proliferam os sites racistas, neo-nazis, incitadores de ódio e violência, etc. Fora do ciberespaço, creio ser necessário estar-se mesmo interessado neste género de propaganda para a obter. Já com uma simples pesquisa no Google ela de pronto aparece no ecrã. A propaganda, em si, revolta mas é inócua. O problema está quando lhe segue a materialização em actos violentos. Está ainda por provar a existência de um nexo de causalidade entre o incitamento ao ódio racial e a prática de actos racistas. Não duvido que tal nexo exista, mas deconheço a sua extensão ou grau de eficiência. Por exemplo, o além do mais medíocre (segundo me contam, que não cheguei a ler) «Mein Kampf» não foi em si responsável pelo holocausto. Ora, a censura não pode pretender ser perfeitamente eficaz de modo a impedir a disseminação de propaganda racista. Pelo contrário, a repressão confere a um movimento uma aura de atracção pelo interdito e de encorajadora revolta contra um poder prepotente, como é sabido desde que os cristãos foram lançados aos leões. Por outro lado, tal atitude paternalista por parte do Estado não deixa de irritar todos aqueles que se julgam capazes de pensar pela sua própria cabeça e de se auto-determinar em conformidade. Quanto à internet, é mister ter presente que não se trata de um outro universo, autónomo relativamente ao mundo cá de fora. Por inspiração de um certo romantismo libertário, há quem a veja desligada das leis que regem o nosso confronto mundanal. Mas afinal é (só) um novo meio de comunicação, inserido na sociedade, e cujas especificidades não lhe granjeam natureza extra-terrestre, ainda para mais quando as consequências do seu abuso são do mais físico que há. E a divulgação do ideário nazi pode constituir crime face à lei portuguesa, nomeadamente o previsto no art. 240.º, n.º 2 do Código Penal: «Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social: a) Provocar actos de violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional ou religião; ou, b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional ou religião, nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade; com intenção de incitar à discriminação racial ou religiosa ou de a encorajar, é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos.» Também a instigação ou apologia pública de um crime são punidas (arts. 297.º e 298.º). Que papel podem ter os fornecedores de acesso à rede (ISPs) e de alojamento de páginas web no rastreio destas actividades? Desde logo, é evidente que a fronteira que qualifica determinada mensagem como (relevantemente) racista é tudo menos nítida. O ponto fulcral é que estas empresas não são tribunais, portanto não têm legitimidade para limitar a liberdade de expressão dos cidadãos. Como ilegítimo é também, pelo mesmos motivos, travestir qualquer autoridade não judicial de polícia e juiz do ciberespaço, como se procura fazer quanto à ANACOM em Portugal. A utilização de dispositivos automáticos de filtragem, muito discutida, enferma dos mesmos defeitos, agravados pela inultrapassável cegueira das máquinas. Por isso vejo com muita desconfiança os tais «acordos de boa conduta», e todas as tentativas de tornar a internet um espaço esterilizado e hermético, fechando os olhos ao mundo para não lhe permitir mirar-se ao espelho. O mundo, esse, é que carece de esterilização. [ 2 comentários: comentar/ver ]
Blog da primeira ligaCumprindo a tradição bloguística, aqui dou os parabéns a Francisco José Viegas pelo primeiro aniversário do excelente Aviz. [ 0 comentários: comentar/ver ]Redistribuição da riquezaApesar do PIB português ter diminuído e da retoma tardar, o número de milionários cresce mais em Portugal do que na Europa, segundo notícia do Público Online. [ 3 comentários: comentar/ver ]
Censura encapotada?O documentário de Michael Moore, «Fahrenheit 9/11», vencedor da palma de ouro em Cannes, foi classificado pela Motion Picture Association of America como «para maiores de 17 anos», por incluir imagens violentas e perturbadoras e linguagem imprópria. Quanto a Michael Moore, uma rápida pesquisa no IMDb.com deu como exemplos para a classificação «maiores de 17» os seguintes filmes: «Pulp Fiction», «The Shining», «Saving Private Ryan», «Last Samurai», «Lost Highway», «Rambo», «Platoon», «The Thin Red Line». Destoará «Fahrenheit 9/11» tanto desta lista que se possa afirmar haver aqui algum tipo de censura? E, por outro lado, será que tem imagens tão mais chocantes do que as que se vêem diariamente nos noticiários em prime time? [ 1 comentários: comentar/ver ]
Isto é que é optimismoManuel Monteiro, aríete do Partido Nova Democracia queixa-se: «Muitas pessoas ainda não associaram o meu nome ao do PND. Os meus adversários sabiam disso e impediram a participação nos debates televisivos.» A mera alusão ao nome de Monteiro parece pois argumento decisivo para a conquista de eleitorado. E os seus oponentes políticos, receosos que ele pudesse, qual flautista de Hamelin, atraír o povo para a irresistível democracia-cristã monteirista, logo trataram de lhe boicotar a exposição televisiva. Revela também que o programa político do partido (e o correspondente «poder apelativo») se esgota em grande medida no pretenso carisma do seu líder. E avisa: «Vamos rumo às legislativas e aí o PND vai eleger deputados». Ambição não lhe falta, para quem, com 1% de votação nestas eleições, ficou atrás do MRPP (que nem fez campanha). [ 2 comentários: comentar/ver ]
Fim de semana em cheioPortugal (rectius:a selecção portuguesa de futebol) envergonhou contra a Grécia. Como se esperava, a coligação PSD/PP foi derrotada nas europeias, iniciando-se um novo ciclo sob o signo PS. A França demonstrou que a bola é redonda e o jogo dura 90 (e tal) minutos. Odete Santos afinal fica por cá. Amanhã há mais dois jogos e Paulo Portas não compreende os abstencionistas. O tempo continua quente e o céu limpo. [ 0 comentários: comentar/ver ]
«El mundo unido por un balón»......era o mote do campeonato do mundo de futebol do México, em 1986. Hoje, a melhor explicação que encontro para a invasão das bandeiras nacionais é o país, sempre ávido de causas consensuais (lembram-se de Timor?), querer demonstrar que está unido no apoio à «selecção de todos nós». Não haja dúvidas, o assunto é puramente futebolístico. Uns são do Porto, outros do Benfica, outros do Sporting, mas todos da selecção nacional: trata-se então de demonstrá-lo, logo agora que a realização da competição em Portugal inflama, mais do que nunca, as expectativas. Encarneirados pela arregimentação mediática, lá aderem os portugueses em peso à parola moda. De qualquer modo, a selecção perdendo nos primeiros jogos, logo a frustração remeterá a bandeirinha à garagem, para limpar as mãos após mudar o óleo da viatura. A não ser que o país se possa depois unir numa nova causa, como o facto de sermos roubados pelo árbitro, ou coisa do género... [ 0 comentários: comentar/ver ]
Dia de PortugalAssinalo a data com um texto do grande José Maria: «Há em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a pátria, não dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos corações fortes. Respeitam a tradição, mas o seu esforço vai todo para a nação viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para trás as Molucas, ocupam-se da pátria contemporânea, cujo coração bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspirações, dirigir-lhe as forças, torná-la mais livre, mais forte, mais culta, mais sábia, mais próspera, e por entre estas qualidades elevá-la entre as nações. Nada do que pertence à pátria lhes é estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas não ficam para todo o sempre petrificados nessa admiração: vão por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instrução, promovendo sem descanso os dois bens supremos ciência e justiça. Põem a pátria acima do interesse, da ambição, da gloríola; e se têm por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paixão diviniza-os. Tudo o que é seu o dão à pátria; sacrificam-lhe a vida, trabalho, saúde, força. Dão-lhe sobretudo o que as nações necessitam mais, e o que só as faz grandes: dão-lhe a verdade. A verdade em tudo, em história, em arte, em política, nos costumes. Não a adulam, não a iludem: não lhe dizem que ela é grande porque tomou Calecut, dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade, rude e brutal. Gritam-lhe: - “Tu és pobre, trabalha; tu és ignorante, estuda; tu és fraca, arma-te! E quando tiveres trabalhado, estudado, quando te tiveres armado, eu, se for necessário, saberei morrer contigo!” Eis o nobre patriotismo dos patriotas. O outro patriotismo é diferente: para quem o sente, a pátria não é a multidão que em torno dele palpita na luta da vida moderna mas a outra pátria, a que há trezentos anos embarcou para a Índia, ao repicar dos sinos, entre as bênçãos dos frades, a ir arrasar aldeias de mouros e traficar em pimenta. Esse, a sua maneira de amar a pátria é tomar a lira e dedicar-lhe lânguidas serenadas. Esse sobe à tribuna do Parlamento ou ao artigo de fundo, e de lá exclama, com os olhos em alvo e o lábio em luxúria; Oh pátria! Oh filha! Ai querida! Oh pequena! Que linda que és! exactamente como tinha dito na véspera, num restaurante, a uma andaluza barata. Esse, coisa pavorosa! não ama a pátria, namora-a; não lhe dá obras, impinge-lhe odes. Esse, quando a pátria se aproxima dele de mãos vazias, pedindo-lhe que coloque nelas o instrumento do seu renascimento põe lá (ironia magana) o quê? os louros de Ceuta! Quando o povo lhe pede mais pão e mais justiça, responde-lhe, torcendo o bigode; - Deixa lá…. Tu tomaste Cochim.» [ 1 comentários: comentar/ver ]
Quanto pesa a dignidade humana?Depois de mentes pioneiras terem criado o conceito de guerra preventiva (legítima defesa sem actualidade ou iminência da agressão), um relatório preparado por advogados americanos para Donald Rumsfeld defende que a proibição da tortura sobre prisioneiros, presente nas Convenções de Geneva e pertencente ao núcleo fundamental do direito internacional, não vincula o Presidente dos Estados Unidos quando em causa estejam considerações de segurança nacional! Pode haver, portanto, justificações legais para a tortura. Trocado em miúdos, umas quantas sevícias são coisa pouca quando comparadas com a protecção de milhões de pessoas. A tortura sempre foi usada como meio de obter vantagens importantes a nível da segurança nacional. Isto significaria portanto o fim puro e simples da proibição de torturar prisioneiros, se os americanos não tivessem já demonstrado que há tortura que serve unicamente para divertir as tropas. Na elaboração que defende o tal relatório (partes do qual podem ser consultadas aqui), tudo tende a que só esta segunda modalidade permaneça ilícita. Desde a doutrina das «vidas indignas de serem vividas» criada pelo terceiro Reich que não se via tão manifesta relativização da dignidade humana. [ 2 comentários: comentar/ver ]EgosDesde que criei o Arcabuz adquiri a necessidade, quase fisiológica (um vício?), de visitar uma mão cheia de blogs a que de certa maneira me vou afeiçoando. Honestamente que muito me surpreendeu descobrir que alguns dos seus autores vieram cá parar, talvez por contingência de alguma digressão aleatória pelo ciberespaço, e que mencionaram o Arcabuz nesses blogs. Não sei se já se promulgou aqui algum código de ética, nem o que ele dispõe ou disporia sobre o assunto, mas, perdoe-se-me a inocência de novato, gostaria de: a) agradecer a consideração (que é recíproca) dispensada pelo besugo, do Blogame mucho, que entre umas 12 horas obrigatórias e outras 12 horas quase idem lá vai colhendo incentivo no hino soviético; b) agradecer a consideração (que é recíproca) dispensada pelo Dragão, do Dragoscópio, com quem comungo do apreço por Boris Vian, e a quem aproveito para oferecer uma pratada de peixe-gato; c) agradecer a consideração (que é recíproca) dispensada por uma senhora amiga cuja graça desconhecemos, mas que afirma estar n'A outra margem mesmo sem saber em qual delas estamos; escreve muito bem, é muito interessante e tem muitos visitantes... bem gostaria de lhe afagar superiormente o ego, como merece, mas temo que não me chegue o engenho e a arte. [ 2 comentários: comentar/ver ]
Trânsito de Vénus![]() Vi e tirei esta fotografia. [ 4 comentários: comentar/ver ]
Ainda o Dia D«Chegámos nessa manhã e não fomos bem recebidos, pois não havia ninguém na praia a não ser montes de tipos mortos ou montes de pedaços de tipos mortos, tanques e camiões demolidos. Vinham balas um pouco de todo o lado e não gosto de tal desordem só pelo prazer. Saltámos para a água, mas era mais profunda do que o que parecia, e escorreguei numa lata de conservas. O rapaz que estava atrás de mim teve três quartos da cara arrancados pela ameixa que acabava de chegar, e eu guardei a lata de conservas como recordação. Meti os pedaços da sua cara no meu capacete e dei-lhos, ele partiu para se ir curar, mas tinha todo o ar de ter tomado o caminho errado, porque entrou na água até já não ter pé, e aí não acho que pudesse ver suficientemente ao fundo para não se perder. Corri em seguida no bom sentido e cheguei mesmo a tempo de levar com uma perna em cheio na cara. Ainda tentei mandar vir com o tipo, mas a mina não havia deixado mais do que pedaços pouco práticos de manobrar, então ignorei o seu gesto, e continuei.» Assim começa a novela «Les Fourmis», de Boris Vian (tradução de moi-même). [ 1 comentários: comentar/ver ]Dia D
O desembarque da Normandia é um momento da história mundial verdadeiramente fascinante. A enormidade dos meios envolvidos, a complexa estratégia militar, o nervosismo de Eisenhower, o drama humano dos soldados aliados a correrem pela praia debaixo do intenso fogo inimigo, o drama humano dos soldados alemães a acordarem com a assustadora visão de um mar repleto de embarcações, o carácter decisivo que batalha teve para a maior guerra da História, as fotografias de Robert Capa, Omaha Beach, a tomada da Pointe du Hoc, os dias que se seguiram e a batalha da Normandia, o cerco a Caen, o imaginário criado pelo cinema: tudo torna irresistível a atracção por esse importantíssimo dia 6 de Junho de 1944. A efeméride suscitou o encontro dos líderes mundiais, sempre preocupados em afirmar o mútuo melhoramento das relações diplomáticas. Suscitou também artigos em tudo o que é jornal ou revista, e, como não podia deixar de ser, discussão colorida no mundo dos blogs. [ 0 comentários: comentar/ver ]Um mês que passouManter um blog é enriquecedor, pelo que peço ao visitante que me perdoe uma pequena introspecção. Quando o Arcabuz fez uma semana, assinalei-o. Permito-me agora anunciar que este blog já existe há um mês. Não é quase nada. Nem é meu objectivo fazer um mero exercício de endurance. Talvez ainda esteja naquele período a que Paulo Querido chama do tesão de mijo (nota: diz-se «o tesão» e não «a tesão»; conferir aqui, que nisto das erecções é mister ser cauteloso e não confundir os géneros). Mas acho que o Arcabuz não começou fruto de «embriagado entusiasmo». Esse vai-me surgindo aos poucos, dia após dia, post após post; uma experiência tornada um hábito, um vício até. Como em tudo na vida, às vezes a vontade não é tanta. Aí, claro está que a persistência é importante, para que não se esfumem definitivamente o projecto e as intenções. Mas não me parece que, no futuro, seja necessário impor-me uma rigorosa pertinácia... Para explicar porquê que muitos blogs morrem novos, Paulo Querido diz: «O mais comum é o primeiro blog ser um exercício mal feito, mal planeado (se é que foi planeado...). [O blogger] mal acaba aquele primeiro exercício de autor abre de imediato um segundo blog já com um projecto, uma ideia, um fio condutor». Este é o meu primeiro blog. E não tem por trás nenhum plano, afora estampar na net opiniões, desabafos e recomendações. Mau prenúncio, então? Se daqui a onze meses ainda por cá estivermos, logo pediremos vénia para falar sobre isso. Entretanto vou tentando fazer o melhor que posso. A propósito, prometo que se poderão esperar notórias melhorias, agora que me dei ao trabalho de ler o «Politics and the English Language», de George Orwell (disponível neste site). [ 0 comentários: comentar/ver ]Tu quoque, fili?«Gosto imenso de futebol, de ver e de estudar futebol - porquê, não sei...», confessa Jorge Sampaio na Pública. Que goste de futebol não surpreende, neste país onde o fanatismo futebolístico é epidémico. Também não espantaria se o presidente dissesse que, apesar da idade, aprecia jogar futebol... Eu próprio tenho todo o prazer em juntar uns companheiros, pegar na bola, e ir dar uns pontapés nesta e naqueles. Mas não. Jorge Sampaio, um intelectual, gosta é de estudar futebol! [ 0 comentários: comentar/ver ]
InsólitoEm Braga, amanhece-se com techno e breakbeat. De saída, choca-se frontalmente com uma procissão. Longa, com numerosos fiéis cantando, escuteiros aprumados, padres de hierarquia diversa. É a cidade dos arcebispos. [ 1 comentários: comentar/ver ]
Uma excepção que confirma a regraTodos temos amigos responsáveis por nos encherem o e-mail de mensagens cujo assunto começa por «FW:», e que normalmente não contêm mais do que anedotas sem piada ou foto-montagens que nem a custo nos arrancam um sorriso. Pois hoje recebi uma pequena excepção. Um link para o video-clip de uma banda que julgo finlandesa, de nome «Lodger». Está engraçado e bem feito, vede por vós. E obrigado à Patrícia por me ter remetido a recomendação. [ 2 comentários: comentar/ver ]Egrégios avósDefinitivamente um pândego, este Vasco Lobo Xavier. Consegue, no Mar Salgado, comparar o hino nacional ao «atirei o pau ao gato» (mais próximo do espírito do nosso hino seria «o valente gato contra quem se atiram os paus»), e recomendar o seu ensino (do hino) à «mocidade» (que provocador!) nas aulas de música! Isso é que era: uma nova geração capaz de afirmar que «A Portuguesa» começa com uma anacruza. E que lindo vê-los, em fila por essas ruas fora (de calções e quinas ao peito?), a esganiçá-la nas flautas de bisel. Proponho o seguinte: tendo em conta as novas tendências do marketing político, se queremos enfiar o hino na cabeça da criançada mais eficaz é transformá-lo num rap. [ 1 comentários: comentar/ver ]Mais vale prevenir...
Rui do Carmo, director-adjunto do Centro de Estudos Judiciários, a escola de magistrados, revelou que o juri das provas orais a que se irão submeter os candidatos irá ser assessorado por um psicólogo, para «averiguar eventuais problemas psicopatológicos». De facto, é de prever que, após meses de estudo ciclópico, haja quem tenha desenvolvido manias obsessivo-compulsivas ou coisa que o valha. Prevejo já o desenrolar da entrevista ao candidato: Psicólogo: Diga-me por favor o quê que vê nesta mancha. [ 1 comentários: comentar/ver ]
Biblioteca Nacional DigitalNão raro, as investidas no âmbito do e-government e na disponibilização de conteúdos online por entes públicos são um desastre. É só pensar nos flagrantes exemplos dos bloqueios no concurso público dos professores e no cumprimento via net de obrigações tributárias. Nestes casos, o que normalmente acontece é o sistema estar subdimensionado para a pressão que exercem muitos milhares de acessos simultâneos. O que é indisculpável, porque, no momento em que se projecta e monta a infraestrutura necessária, está-se já em condições razoáveis de prever o número de pessoas por hora que vão tentar aceder ao serviço. É também normal as páginas serem confusas, perdendo-se o cidadão num labirinto de ícones obscuros, entre «clique aqui» e «clique ali», num excesso de cores, animações e fotografias, links «para saber mais», menus múltiplos na mesma página, três ou quatro colunas de ligações, etc. Desesperante para quem lá chega com um específico assunto a tratar. Veja-se, como exemplo, a página do IAPMEI. Ou o Portal do Cidadão. Já reparei que uma pessoa pouco acostumada a navegar na internet tem a tendência de ler a página toda antes de optar pela ligação que lhe interessa, facilmente se perdendo quando confrontada com tal míriade de opções e de informações acessórias. Frequentemente, os webdesigners gostam de dar um arzinho de sua graça e mostrar que dominam tecnologias multimedia avançadas, de bom grado sacrificando a funcionalidade ao original e visualmente apelativo. Bem sei que lhes fica bem no portfolio, mas são de lamentar exemplos como o do Instituto Português de Museus. Ainda para mais sabendo que em Portugal a banda larga ainda não está generalizada, não faz sentido construir páginas muito pesadas. Mas o mais importante é o conteúdo, e aí, para quem ainda não conhece, tenho uma boa sugestão a dar: o site da Biblioteca Nacional. No âmbito do projecto Biblioteca Nacional Digital, têm vindo a ser digitalizadas e disponibilizadas na net uma série de edições, a ritmo lento mas regular. Sermões do Padre António Vieira, edição de 1682, mas também Damião de Góis, Nicolau Tolentino, Alexandre Herculano, Latino Coelho, e mais uma data de curiosidades. Foram igualmente organizadas colecções temáticas. Exemplos: Eça, Mário de Sá Carneiro, 25 de Abril. Ciente de que sobeja o que fazer neste domínio, a iniciativa perece-me de louvar. [ 0 comentários: comentar/ver ]
Os ETs chegaram!Como já não se pode confiar nos americanos para salvaguardar a democracia e liberdade, o mundo decidiu apelar à ajuda externa e convidar seres extra-terrestres para virem pôr ordem nesta pocilga. Acabados de chegar à Terra, foram de pronto recebidos por Santana Lopes numa gala oferecida pelo Casino Estoril. Não foi por acaso que escolheram Lisboa para iniciar o périplo libertador. Aproveitaram a realização do Rock in Rio, onde tiveram uma oportunidade excepcional para aprender o que se pode fazer pela paz e por um mundo melhor, e para assistir ao concerto do Pedro Abrunhosa. Está assim explicado o fenómeno visto com assombro pela população nacional nos céus do país. Agora falando (um pouco mais) a sério. Os media, obviamente reflectindo os interesses das pessoas, têm especial predilecção pelo inexplicável, pelo fenómeno não compreendido. Óptimo, porque do mistério nasce a solução. Só que toda a atenção vai para as dúvidas cautelosas dos especialistas, para a falta de explicação cabal das autoridades, para as descrições fantasistas das testemunhas. O oculto é notícia, mas quando o mistério se desfaz, já não interessa à comunicação social esclarecê-lo. Como exemplo, cá vai um desafio: quem sabe porquê que, aqui há uns anos, apareceram intrigantes círculos e figuras geométricas marcadas em campos de cultivo ingleses (crop circles), cujas fotografias foram mundialmente divulgadas, e sobre os quais chegaram até a ser publicados livros atribuíndo-lhes origem extra-terrestre? Isto tudo a propósito dos OVNIS que andaram a percorrer o espaço aéreo português, tendo sido observados de Penafiel a Faro. Deram uma óptima notícia de abertura para o telejornal da TVI. Cabe agora explicar: segundo José Matos, divulgador científico, não eram marcianos, mas um fenómeno relativamente comum chamado Iridium flare. Para ler uma breve descrição, ir aqui; e, para ver uma excelente fotografia, aqui. Já que agora anda tudo de olhos no céu, aproveito para lembrar: dia 8 de Junho, a natureza vai apresentar ao mundo uma performance a que ninguém hoje vivo se pode orgulhar de já ter assistido. O trânsito de Vénus. (Bom nome para um documentário sobre mulheres ao volante.) [ 0 comentários: comentar/ver ]Ladies' NightMuitos já se aperceberam certamente que é comum discotecas e outras casas de diversão nocturna organizarem «noites da mulher». Atraídas pelo facto de não pagarem entrada, as clientes do sexo feminino comparecem em maior número. Os homens, por seu turno, atraídos pelo facto de as clientes do sexo feminino comparecerem em maior número, estão dispostos a pagar mais, pelo que lhes é cobrada uma entrada mais elevada. O esquema, brilhantemente concebido pela esperta análise social dos empresários da noite, parece compensar. [ 0 comentários: comentar/ver ]Hino soviético
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Despronunciamento?Mesmo para quem, como eu, não percebe um chavo do assunto, fica sempre bem um pouco de rigor. «Despronunciamento» disse-se muito hoje, quer nas televisões, quer na primeira página do Público. Mas o despacho é de pronúncia ou de não pronúncia. Assim, ou há pronunciamento ou não pronunciamento. Não pode ser despronunciado quem não chegou a ser pronunciado. Certo? [ 1 comentários: comentar/ver ]É proibido fumar
[ 1 comentários: comentar/ver ]Late Night Blogs 001 (e único)(ou: o que me separa de Pacheco Pereira é o abismo de chamarmos ao mesmo coisas diferentes.)
A meu favor Alexandre O'Neill
...e prometo que, descansado o Arcabuz fumegante, amanhã se voltará a ribombar comme d'habitude. [ 2 comentários: comentar/ver ]O drama da justiçaA juiza de instrução do caso Casa Pia decidiu não pronunciar Paulo Pedroso, que havia sido acusado, pelo MP, de uma data de crimes sexuais. A decisão não é, contudo, definitiva, pois cabe ainda recurso por parte do MP, e surpreender-me-ia se ele não fosse interposto. [ 0 comentários: comentar/ver ] |
Este blog já não mora aqui! Mudou para arcabuz.net. Tende a gentileza de para lá seguir.
Quantos são? |